25 cristãos são mortos na Nigéria enquanto famílias enterravam vítimas de ataque anterior

Enquanto famílias de luto enterravam vítimas de um ataque anterior, uma nova onda de violência matou 25 cristãos a golpes de facão durante a noite na Nigéria e feriu outros três.

Moradores se reúnem durante o sepultamento de vítimas de ataque no estado de Plateau, na Nigéria. (Foto: ICC)

Enquanto famílias cristãs ainda enterravam vítimas de um ataque anterior, uma nova onda de violência atingiu a comunidade de Bin Mper, no distrito de Kombun, condado de Mangu, no estado de Plateau, na Nigéria.

Pelo menos 25 cristãos foram mortos e outros três ficaram feridos no ataque ocorrido na madrugada de terça-feira (18).

A sequência de ataques tem provocado temor entre os moradores da região. Segundo representantes locais, antes da ação que deixou 25 mortos, um jovem de Mangu havia sido atacado e posteriormente enterrado. Em seguida, outra ofensiva teria atingido a área, com casas e cabanas incendiadas e plantações destruídas.

Foi nesse cenário, enquanto a população ainda lidava com as consequências da violência anterior, que ocorreu o novo ataque. Após a ação, as vítimas fatais foram sepultadas, enquanto três pessoas feridas permaneciam hospitalizadas.

‘Um povo pacífico’

Durante a cerimônia de sepultamento, Jonathan Kyesmang, presidente da Associação Nacional da Juventude de Mwaghavul, lamentou a violência e destacou o histórico de convivência pacífica da população local.

“Somos conhecidos por sermos um povo pacífico”, afirmou Kyesmang. “Nosso povo viajou por todo o município de Mangu, no estado de Plateau, na Nigéria e na África, e vivemos pacificamente com pessoas de diferentes origens.”

O líder comunitário ressaltou que os responsáveis pelos ataques recentes não representam todas as comunidades Fulani que vivem em Plateau. Segundo ele, muitos moradores Fulani historicamente convivem de forma pacífica com outros grupos étnicos da região.

Kyesmang também alegou que a violência estaria relacionada a tentativas de tomar o controle de terras ancestrais. Essa acusação tem sido apresentada por comunidades afetadas por ataques recorrentes em diferentes partes do estado de Plateau.

“Somos cidadãos responsáveis e continuaremos a dizer a verdade ao mundo inteiro”, declarou. “Nunca nascemos para atacar ninguém.”

Segundo Kyesmang, as comunidades Mwaghavul têm um histórico de coexistência com diferentes grupos étnicos, incluindo Tiv, Idoma, Yoruba e Igbo.

Governo condena ataque

O Governo do Estado de Plateau confirmou a ocorrência da violência em Bin Mper e condenou o ataque. Em comunicado, a comissária de Informação e Comunicação do estado, Joyce Lohya Ramnap, expressou solidariedade aos moradores e às famílias atingidas.

“O Governo do Estado de Plateau condenou o ataque relatado na comunidade de Bin Mper, distrito de Kombun, condado de Mangu, que ocorreu nas primeiras horas da terça-feira, 18 de agosto de 2026”, informou o comunicado.

O governador Caleb Mutfwang determinou que as agências de segurança intensifiquem a vigilância e o patrulhamento em Bin Mper e em outras comunidades consideradas vulneráveis no condado de Mangu.

As autoridades também pediram que os moradores mantenham a calma e forneçam informações que possam ajudar as forças de segurança a identificar os responsáveis.

Até o momento relatado pela fonte, porém, o governo estadual não havia atribuído oficialmente a autoria do ataque, e as agências de segurança não haviam identificado publicamente nenhum suspeito.

Violência recorrente

O novo massacre se soma a uma sequência de episódios de violência que afetam comunidades agrícolas no estado de Plateau. Nos últimos anos, moradores da região têm enfrentado ataques recorrentes, deslocamentos e destruição de propriedades.

Comunidades cristãs na região central da Nigéria também têm relatado repetidamente ataques contra aldeias, igrejas e assentamentos agrícolas. Diante do cenário, Kyesmang pediu maior proteção para as populações vulneráveis e a responsabilização dos autores da violência.

Após o sepultamento das vítimas, o líder comunitário fez um apelo pela união e cobrou das autoridades medidas capazes de proteger os moradores e impedir novos ataques.

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