Cristãos são alvo de massacre no Haiti

 

Corpos de vítimas de ataques de gangues são colocados em uma ambulância no bairro de Kenscoff, em Porto Príncipe, Haiti, em 24 de agosto de 2026. (Foto AP/Odelyn Joseph)

Em Porto Príncipe, membros de gangues violentas massacraram pelo menos 47 pessoas — muitas delas cristãs — e incendiaram o santuário de uma igreja evangélica. Pelo menos cinco das vítimas eram crianças, segundo a ONU.

Os homens armados também sequestraram mais de 50 pessoas no bairro de Kenscoff, na capital do Haiti. Um líder da gangue ameaçou matar os reféns caso as autoridades machuquem algum membro da gangue. 

Este ataque, ocorrido no domingo, é considerado um dos maiores massacres e sequestros no Haiti nos últimos anos. O terrível acontecimento põe em xeque a crença de que a segurança no Haiti está melhorando. Pode também ser uma demonstração de força, visto que o Haiti se prepara para as eleições gerais de dezembro.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou o ataque na terça-feira, observando que 22 das vítimas teriam sido executadas no complexo de uma igreja onde haviam buscado refúgio.


O bispo haitiano Joseph Gontrand Décoste, de Jérémie,  disse à Ajuda à Igreja que Sofre  (ACN) que as igrejas e os cristãos em geral são cada vez mais alvos da violência de gangues, porque os fiéis continuam sendo o último bastião de resistência contra o mal.

“Somos o último bastião restante — moral, ético, espiritual e profético”, disse ele. “É por isso que eles querem nos eliminar.”

Para contextualizar, cerca de 40 paróquias católicas fecharam em Porto Príncipe devido à crescente violência letal contra os cristãos. Nos primeiros sete meses de 2026, dois padres foram sequestrados e um seminarista foi assassinado. Na primavera passada, duas freiras da Congregação das Irmãzinhas de Santa Teresa foram mortas e, em 2024, nove religiosas, cinco religiosos e quatro padres foram sequestrados.

A ACN informou que as gangues controlam entre 70% e 90% da capital, Porto Príncipe.

O prefeito de Kenscoff, Jean Massillon, afirmou na terça-feira que gangues também incendiaram 25 casas e mataram dois funcionários públicos, incluindo seu primo, que trabalhava como seu segurança. “A atrocidade desse crime nos lembra que precisamos continuar trabalhando com mais afinco todos os dias para trazer paz à comunidade”, disse Massillon. “Estou otimista de que o estado continuará trabalhando para erradicar as gangues em Kenscoff.”


FOTO: Mulheres choram no local onde seus parentes foram mortos em um ataque de gangue no bairro de Kenscoff, em Porto Príncipe, Haiti, em 24 de agosto de 2026. (Foto AP/Odelyn Joseph)

A violência de gangues deslocou um número recorde de 1,5 milhão de pessoas no Haiti, onde mais de 3.050 pessoas foram mortas entre janeiro e junho, de acordo com novas estatísticas da ONU divulgadas esta semana.

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